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Samão celebra Festa das Papas em honra de S. Sebastião

Festa realiza-se no dia 20 de janeiro de forma alternada nos lugares do Samão e de Gondiães

18 de janeiro de 2019
Festa das Papas no Samão
A aldeia de Samão, freguesia de Gondiães e Vilar de Cunhas, prepara-se para celebrar a ‘Festa das Papas’ em honra de S. Sebastião ‘padroeiro da fome, da peste e da guerra’. É já no domingo, dia 20 de janeiro, que o povo do Samão oferece papas, pão benzido, carne e vinho, a todos quantos se desloquem à aldeia para honrar o santo.
A ‘Festa das Papas’ realiza-se no dia 20 de janeiro de forma alternada, ora no lugar do Samão, em ano ímpar, ora no lugar de Gondiães, em ano par.

Trata-se de uma romaria antiga, cuja origem se perde na memória do tempo. Reza a lenda local que na Idade Média os povos que habitavam aquelas serras foram assolados por uma grande peste que atingiu humanos e animais. Para se verem livres da doença, os habitantes daquelas aldeias sertanejas recorreram a S. Sebastião de quem eram devotos e que os terá libertado de tal ‘maldição’. Então, como forma de gratidão, as pessoas prometeram que daí em diante fariam uma festa e ofereceriam o que de melhor o povo tinha, ou seja, o pão, o vinho e a carne, a todos quantos ali se deslocassem para honrar o santo. Desde então, todos os anos no dia 20 de janeiro (dia de S. Sebastião), a promessa renova-se e a festa repete-se, honrando assim um compromisso antigo assumido pelos seus antepassados.
 
A festa realiza-se no dia 20 de janeiro mas os preparativos começam uma semana antes. O pão é confecionado e cozido pelas mulheres da aldeia e armazenado na ‘casa do Santo’ para que no dia de S. Sebastião, seja benzido, assim como a carne, as tradicionais papas e o vinho para que depois sejam oferecidos a todos os que se desloquem à aldeia para honrar o padroeiro.
 
Com as tarefas dividas, cabe aos homens fazer as papas – iguaria confecionada com farinha de milho e água de cozer as carnes – que podem comer-se quentes ou frias. Do repasto faz igualmente parte a carne de porco que, uma vez cozida, é servida em pratos de barro acompanhada pelo vinho verde da região.
 
A jornada começa cedo com a bênção dos alimentos, a celebração de uma missa em honra de S. Sebastião e a realização de uma procissão. Os alimentos são transportados para o campo junto à sede do Grupo Associativo do Samão onde é estendida um toalha de linho com dezenas de metros, ao longo da qual se colocam, no próprio momento, os alimentos. A distribuição das papas, do pão, da carne e do vinho é feita com uma vara de madeira, que vai marcando o espaço nesta ‘mesa’ improvisada.

Terminada a refeição, algumas das pessoas levam consigo os pedaços de broa que lhes coube para guardarem durante alguns dias porque acreditam na afamada ‘mezinha’ que existe no pão que foi benzido. Até há quem acredite que a broa nunca ganhará bolor e que serve de remédio para as doenças que afetam as pessoas e os animais.

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