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Cabeceiras de Basto assinalou os 52 anos do 25 de Abril

Sessão Solene da Assembleia Municipal e Hastear da Bandeira Nacional

28 de abril, 2026
Cabeceiras de Basto assinalou os 52 anos do 25 de Abril
Cabeceiras de Basto celebrou este fim de semana os 52 Anos do 25 de Abril com a realização da Sessão Solene da Assembleia Municipal, cujo Hastear da Bandeira Nacional contou com guarda de honra dos Bombeiros Voluntários Cabeceirenses.
Para assinalar a data foram colocadas as fotografias dos anteriores presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal nas respetivas salas, a primeira, de Francisco Alves, no Salão Nobre dos Paços do Concelho e a de Joaquim Barreto que foi descerrada na Sala de Sessões da Assembleia Municipal.

Na cerimónia evocativa do 25 de Abril participaram o executivo municipal liderado por Manuel Teixeira, o presidente da Assembleia Municipal, representantes dos partidos políticos e de grupos de cidadãos eleitores, presidentes de Juntas de Freguesia, representantes de instituições locais e demais entidades civis e militares do concelho.

Na sua intervenção, o presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, Manuel Teixeira, assinalou os 52 anos do 25 de Abril sublinhando que a revolução foi “um povo a recuperar a palavra” e que a democracia “tem de ser conquistada todos os dias”. Na sua primeira intervenção oficial nesta cerimónia enquanto presidente, destacou o “orgulho de ser escolhido pelos cabeceirenses”, lembrando que a responsabilidade de governar é para todos, independentemente do sentido de voto.

Assinalou também os 50 anos do poder local democrático, recordando que as autarquias foram decisivas para transformar o país, levando serviços essenciais a territórios onde o Estado central não chegava. Reconheceu o legado dos autarcas anteriores e comprometeu se a honrá-lo.

O autarca identificou desafios atuais do concelho, como a perda de população e a dificuldade em fixar jovens, defendendo uma ambição coletiva que permita “ser ainda melhores”. Reforçou a importância da diversidade de opiniões, afirmando que não pretende “um concelho uniforme”, mas sim unido, onde se debata “com respeito, discordando sem odiar”.

Sublinhou que a democracia é um organismo vivo que exige participação, responsabilidade e equilíbrio entre direitos e deveres: “O direito de votar vem com o dever de se informar”. Cada 25 de Abril, disse, é um espelho que permite avaliar o passado, o presente e o futuro.

O discurso terminou com uma afirmação de confiança no concelho e nos Cabeceirenses: “Acredito na nossa terra. Acredito na nossa gente”.

Na oportunidade, o presidente da Assembleia Municipal, Manuel Sá Nogueira, recordou que o 25 de Abril continua a ser um compromisso vivo, assente nos pilares de democratizar, desenvolver e descolonizar, que transformaram profundamente o país após décadas de isolamento e guerra. Destacou, no seu discurso a importância do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública e do Poder Local Democrático, evocando também as figuras fundadoras das instituições cabeceirenses.

Referiu que a democracia exige debate político leal e construtivo, distinguindo?o do combate agressivo e desonesto que mina a convivência democrática, e lembrou que a liberdade de expressão não legitima o ódio, mas deve servir a verdade e o progresso coletivo.

Defendeu, ainda, que a cidadania implica equilibrar direitos com deveres, reforçando que a participação ativa é essencial para evitar o avanço do populismo e do autoritarismo.

Realçou, também, o papel decisivo das mulheres na revolução e na construção da nova democracia, reconhecendo os avanços alcançados, mas também as desigualdades persistentes, nomeadamente no trabalho, na conciliação familiar e na violência de género. Concluiu afirmando que o 25 de Abril é uma obra inacabada e que cada decisão tomada na Assembleia Municipal dá continuidade ao sonho dos capitães, apelando a que todos sejam guardiões da liberdade e construtores de uma justiça social que chegue a todos.

A líder da bancada da Coligação Fazer Diferente, Sílvia Machado, lembrou aos presentes o significado da Revolução dos Cravos como um marco de coragem coletiva que devolveu a liberdade ao povo português, sublinhando que a democracia não é garantida, mas construída diariamente através da participação, do respeito e do pensamento crítico. Alertou para a ameaça da desinformação, que fragiliza instituições, distorce o valor do voto e alimenta extremismos, defendendo que a literacia mediática e a responsabilidade individual na partilha de informação são hoje essenciais para preservar a verdade e, com ela, a própria democracia. Reforçou que a liberdade não se celebra apenas, protege se, e que cada cidadão tem um papel ativo na defesa dos valores democráticos.

No plano local, destacou que a democracia se concretiza nas freguesias e autarquias, exigindo transparência, rigor e proximidade entre eleitos e população. Defendeu, igualmente, uma participação cívica mais ativa, a valorização do exemplo das gerações mais velhas e a construção de uma comunidade onde ninguém fique para trás. 

Sublinhou, ainda, que a igualdade de oportunidades — incluindo a igualdade de género — é condição para uma sociedade justa e para o pleno desenvolvimento do potencial coletivo, exigindo políticas públicas eficazes e mudanças culturais profundas. Concluiu reafirmando o compromisso da Coligação Fazer Diferente com uma democracia mais forte, inclusiva e sustentável, lembrando que defender a democracia local é defender a qualidade de vida dos cabeceirenses e o futuro do concelho.

O líder da bancada do PS, Pedro Oliveira, sublinhou que a democracia é o fundamento da presença de todos na Assembleia Municipal e que o 25 de Abril continua a ser uma celebração essencial da soberania popular, da liberdade e da responsabilidade coletiva. Defendeu que Abril deve ser lembrado com seriedade e autenticidade, sem revisionismos ou rotinas vazias, porque permanece atual e pertence a todos. Recordou que a liberdade se concretiza no poder local democrático e disse que Cabeceiras de Basto tem uma identidade construída ao longo de décadas, marcada pelo contributo contínuo do Partido Socialista desde as primeiras eleições autárquicas.

Destacou, ainda, o legado do PS no concelho, sublinhando que a democracia exige adaptação e mudança, mas preservando sempre os seus valores essenciais.

Terminou a sua intervenção, reafirmando o compromisso do PS em continuar a defender Cabeceiras de Basto, contribuindo para o desenvolvimento do concelho e honrando os valores de Abril, que considerou serem o compromisso permanente do partido para com todos os cabeceirenses.

O líder da bancada do movimento Servir Cabeceiras refletiu sobre as memórias individuais e coletivas associadas ao 25 de Abril, sublinhando o amplo consenso social quanto à relevância histórica e política da revolução. Recordou o contexto da ditadura — marcado pela repressão, pela censura, pela guerra colonial e pelo atraso estrutural do país — e explicou que estes fatores tornaram inevitável a queda do regime. Realçou, ainda, que a Revolução dos Cravos, apesar de pacífica, implicou tensões e confrontos próprios de uma transformação profunda, culminando na construção da democracia e na aprovação da Constituição de 1976, onde se consagram direitos fundamentais como a liberdade de expressão, a igualdade, a proteção social e o acesso à educação.

Destacou, a importância do poder local democrático e da proximidade entre eleitos e cidadãos, alertando para a quebra de confiança institucional quando há discrepância entre promessas e ações políticas, reconhecendo que os desafios atuais são diferentes dos de 1974, mas insistindo que a democracia só está ameaçada quando a sociedade se torna acrítica. Concluiu afirmando que cabe a todos manter viva a mensagem humanista e libertadora do 25 de Abril, combatendo formas subtis de manipulação e defendendo uma sociedade mais justa e consciente.

O líder do Grupo de Cidadãos Eleitores Mais Riodouro, Norberto Pires, assinalou o 25 de Abril como um marco decisivo da história portuguesa, evocando a coragem que pôs fim à ditadura e abriu caminho à democracia, à liberdade e à dignidade humana.

Enquanto presidente de Junta, destacou o papel das freguesias como pilares de proximidade, participação e desenvolvimento, refletindo sobre a importância do mundo rural e defendendo que as aldeias são espaços de identidade e memória que devem ser preservados e valorizados.

Num contexto de despovoamento e envelhecimento, afirmou que o interior não é passado, mas parte essencial do futuro, exigindo coesão territorial e igualdade de oportunidades. Concluiu que celebrar Abril implica agir: defender as comunidades, promover desenvolvimento sustentável e garantir que a liberdade conquistada chega a todos. A liberdade, lembrou, é uma construção permanente que exige responsabilidade, compromisso e memória, inspirando a continuar o caminho iniciado há 52 anos.
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