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Caraterização Demográfica e Socioeconómica

Cabeceiras de Basto - maio/2017


Introdução

Trata-se da caraterização do concelho de Cabeceiras de Basto no que diz respeito à sua demografia e à situação socioeconómica.


1. Caraterização Demográfica

População

Segundo os dados representados na tabela que se segue, referentes ao ano de 2015, residiam em Cabeceiras de Basto, 16.202 indivíduos, o que representa um decréscimo comparativamente ao ano de 2011 (últimos censos) em 497 indivíduos. Esta situação representa assim uma diminuição da população concelhia residente, sendo esta uma conjuntura que se tem vindo a verificar ao longo dos últimos anos no concelho e no país em geral.

Tabela nº 1 - População Residente no Concelho de Cabeceiras de Basto, no período de referência dos dados de 2001, 2011, 2013 e 2015


Este decréscimo na população concelhia é também verificado através do indicador da Taxa de Crescimento Efetivo que, nos três anos em análise se manteve negativo. Quando analisamos o ano de 2013, verificamos isso mesmo. A Taxa de Crescimento Efetivo em Cabeceiras de Basto apresenta uma variação negativa de -0,95%, como se pode verificar na tabela nº 2 representada em baixo.

Esta variação negativa não se faz sentir única e exclusivamente no concelho de Cabeceiras de Basto, mas tal como é possível analisar, também a Região Norte e Portugal apresentam no ano em análise variação negativa, respetivamente de -0,60% e -0,57% à exceção do ano de 2001 em que a Taxa de Crescimento Efetivo foi positiva com valores, de 0,45% e 0,62%, respetivamente. Estes resultados devem-se a diversos fatores, entre eles, a diminuição do número de população no concelho, resultado das migrações e da baixa Taxa Bruta de Natalidade e, ainda, da superior Taxa Bruta de Mortalidade que se faz sentir no país assim como no concelho. O que se traduz num maior número de óbitos do que nascimentos.

De referir que estes são os dados mais atuais retirados do INE referentes a este indicador.

Tabela nº 2 - Taxa de Crescimento Efetivo (%), no Concelho de Cabeceiras de Basto, no Período de Referência dos Dados de 2001, 2011 e 2013


No seguimento da análise até então desenvolvida podemos confirmar os dados anteriores, através da análise dos valores da Taxa Bruta de Natalidade e da Taxa Bruta de Mortalidade, representados na tabela que se segue.

Ao analisarmos os dados do ano 2011 (últimos censos) e os dados mais atuais, ano de 2015, e de acordo com o PORDATA, a TBN registou um aumento não significativo de 7,8% para 8,1%, ou seja, atualmente no concelho têm nascido em média 8 nados-vivos por cada 1000 habitantes.

No que à Taxa Bruta de Mortalidade diz respeito, esta continua a ter valores superiores à TBN embora tenha registado uma diminuição entre 2011 e 2015 de, 11% para 9,5%,respetivamente, o que representa, em análise estatística, o registo de aproximadamente 10 óbitos por cada 1000 habitantes no concelho.

Tabela nº 3 - Taxa Bruta de Natalidade e Taxa Bruta de Mortalidade, no Concelho de Cabeceiras de Basto, do Período de Referência dos Dados de 2001, 2011, 2013 e 2015


Desta forma, o comportamento da natalidade e da mortalidade em Cabeceiras de Basto, ou seja, o facto de o número de óbitos superar o número de nados vivos potencia fortemente o ritmo regressivo da população do concelho.

Esta situação resulta assim, de forma geral, na não renovação da geração podendo-se dizer que morrem cada vez mais pessoas do que aquelas que nascem no concelho. De salientar, no entanto que a TBN, entre 2011 e 2015, registou um aumento, embora não significativo, e a TBM um decréscimo o que poderá vir a ser, num futuro próximo, um fator favorável se este fenómeno assim continuar.

Importante referir que, a Taxa Bruta de Natalidade tal como a Taxa Bruta de Mortalidade são indicadores bastante importantes na análise estatística de um local geográfico, e é, neste seguimento que, pretendemos continuar a análise da população concelhia seguidamente no que concerne ao indicador do Índice Sintético de Fecundidade nos anos de 2011 e 2015.

Como podemos verificar, através da observação do quadro subsequente relativo ao Índice Sintético de Fecundidade, não se têm verificado alterações mantendo-se na média de aproximadamente um filho por mulher o que se traduz numa média bastante baixa e, tal como já mencionado, não permite a renovação da geração levando sucessivamente ao aumento do número da população mais adulta.

Tabela nº 4 - Índice Sintético de Fecundidades, no Concelho de Cabeceiras de Basto, no Período de Referência dos Dados de 2011 e 2015


Ao analisarmos a distribuição da população residente no concelho por sexo, podemos aferir, segundo os dados mais atuais encontrados no Instituto Nacional de Estatística referentes ao ano de 2013, representados na tabela que se segue, que a população concelhia é maioritariamente feminina, representando um total de 8.405 indivíduos, o que se traduz em 51% da população total do concelho. Enquanto que a população masculina é representada por um total de 7.959 indivíduos, ou seja, 48% da população total cabeceirense, situação que também se verificava no ano de 2001, ou seja, uma maior predominância do sexo feminino.

A análise da situação do concelho de Cabeceiras de Basto não difere da situação atual que se verifica na Região Norte e em Portugal em geral, onde a população é maioritariamente feminina nos dois anos em análise, ou seja, 2001 e 2013

No que se refere à divisão da população concelhia por grupo etário e no seguimento dos dados do INE, relativos aos anos em análise, podemos verificar na sequência da análise anterior, através do quadro mencionado, que a população concelhia H/M tem permanecido maioritariamente no grupo etário entre os 25-64 anos, com um total de 8.645 indivíduos no ano de 2013, tal como se verificava no ano de 2001 traduzindo-se, assim, numa população maioritariamente adulta/idosa. Continuando assim no seguimento do que se tem verificado na Região Norte e Portugal, onde nos dois anos em análise, é possível ver a predominância do maior número de população no mesmo grupo etário, isto é, 25-64 anos.

Tabela nº 5 - População Residente (n.º) por Local de Residência, Sexo e Grupo Etário (Por Ciclos de Vida), no Período de Referência dos Dados de 2001 e 2013


Quando analisamos a situação separadamente entre homens e mulheres podemos verificar que, segundo os dados retirados do Instituto Nacional de Estatística relativos ao ano de 2013, tanto os homens como as mulheres, na sua maioria, pertencem ao grupo etário entre os 25-64 anos, com um total de 4.289 e 4.356 indivíduos, respetivamente.

O grupo etário com menor número de indivíduos, no ano de 2013 é, o dos homens, o grupo etário entre os 65 ou mais anos, com 1.240 e, o das mulheres, entre os 15-24 anos, com 1.103 indivíduos. Igual situação que se verificava no ano de 2001.

Tabela nº 6 - População Residente (n.º) por Local de Residência, Sexo e Grupo Etário (Por Ciclos de Vida), no Período de Referência dos Dados de 2001 e 2013


Em suma, e na linha de análise desenvolvida, podemos aferir que o concelho de Cabeceiras de Basto tem vindo, ao longo dos últimos anos, a registar uma diminuição da população em resultado da maior integração da mulher no mercado de trabalho, o que leva a uma baixa do Índice Sintético de Fecundidade tal como mencionado anteriormente. Por outro lado, essa integração no mercado de trabalho resulta num menor número de casamentos. Com efeito, segundo o INE verifica-se que, nos anos de 2011 e 2013, este número diminui passando de 82 casamentos celebrados, para 63, respetivamente.

Desta forma, Cabeceiras de Basto não tem sido diferente no que às questões analisadas diz respeito acompanhando a situação que se tem verificado a nível Nacional e na Região Norte.


2. Caraterização Socioeconómica

Atividade Económica

A caraterização do dinamismo da atividade económica do concelho passa, necessariamente, pela análise da relação existente entre o indivíduo e a atividade económica por ele desenvolvida, considerando, para o efeito, a sua situação perante o mercado de trabalho e, ainda, o tipo de atividade que desenvolve, isto é, o setor de atividade onde se enquadra a profissão que desempenha.

Ao analisarmos a taxa de atividade nos dois momentos censitários considerados – 2001 e 2011 (tabela 7), detetamos uma variação negativa de 1,62% a nível nacional, de 3,77% na Região Norte e de 0,41% em Cabeceiras de Basto. Apesar de se verificar um decréscimo da taxa de atividade em todas as unidades territoriais em análise, Cabeceiras de Basto apresenta uma descida inferior à da Região Norte e a nível nacional.

É de assinalar, ainda, que a taxa de atividade global entre 2001 e 2011 sofreu um decréscimo fruto da diminuição da taxa de atividade masculina, dado que a taxa de atividade feminina contrariou essa tendência, tendo aumentado.

Este aumento da taxa de atividade feminina constitui o reflexo da alteração nos padrões da estrutura da economia familiar. De facto, a alteração dos valores e da própria necessidade de aumentar as fontes de receita da economia familiar, bem como o aumento do nível de instrução e qualificação poderão ajudar a justificar o aumento da atividade feminina.

No entanto, apesar deste aumento da taxa de atividade, entre os anos de 2001 e 2011, continuam a ser as mulheres, a nível geral, que têm o menor valor percentual neste indicador e o concelho de Cabeceiras de Basto não é exceção. Esta situação no concelho, poder-se-á ainda explicar devido à existência, no meio social em estudo, da prevalência em alguns seios familiares a ideia de que, às mulheres cabe apenas o papel doméstico, ou seja, que esta zele pela segurança e educação dos filhos, pela organização e realização das tarefas domésticas.

Apesar disso, não podemos generalizar. Registaram-se alterações no quadro dos valores, a partir da necessidade de encontrar novas fontes de receita da economia familiar, dos fenómenos sociais, da emancipação das mulheres e da sua crescente integração no seio das atividades económicas, bem como do aumento do seu nível de instrução e qualificação que contribuíram para a integração destas nas atividades económicas.

Tabela nº 7 - População Residente Economicamente Ativa, Segundo as Taxas de Atividade em 2001 e 2011


Da análise aos indicadores relativos ao desemprego, em 2001 e 2011 (tabela 8), para as unidades territoriais em estudo pode-se verificar que, houve, em todas elas, um aumento significativo do desemprego, consequência da conjuntura de crise. Sendo de salientar que, no período de referência foram sempre as mulheres as maiores vítimas desta circunstância.

Este aumento mostra a realidade que afeta o país de forma geral. No que ao caso concelhio diz respeito, é de salientar que, entre 2001 e 2011 os valores do desemprego mais que duplicaram passando de 4,9% da população total desempregada para 15%, registando-se a maior percentagem de desempregados nas mulheres que, de 2001 para 2011, passaram de 6,9% para 21%, respetivamente.

Tabela n.º 8 - População Residente Desempregada, Segundo as Taxas de Desemprego em 2001 e 2011


A informação supracitada relativa à Taxa de Desemprego (%) tendo por fonte o PORDATA diz respeito aos últimos dados censitários. No entanto, e no seguimento da análise e desenvolvimento deste documento é-nos possível verificar através do IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional) uma atualização mais recente ao que a este indicador diz respeito. Esta informação encontra-se descrita na tabela nº 9 relativa a fevereiro de 2017.

Como é possível verificar na análise da referida tabela existem atualmente no concelho de Cabeceiras de Basto 1.050 inscritos nos centros de emprego, (dados referentes a fevereiro de 2017), dos quais 437 (41,6%) são homens e 613 mulheres (58,4%). No que se refere à categoria “situação à procura de” a maioria da população concelhia inscrita encontra-se à procura de “novo emprego” com um total de 844 indivíduos (80,4%).

Isto pode-se justificar pelo facto de cada vez mais as pessoas estarem sujeitas a perder os seus postos de trabalho e verem-se obrigadas, muitas vezes já em idades avançadas, a procurar um novo emprego.

No que se refere à população na categoria “à procura do 1º emprego” esta é atribuída mais aos jovens que, após finalizarem a sua formação escolar, encontram-se desempregados e assim, à procura do 1º emprego, correspondendo a um total da população de 16,6% (206 indivíduos).

Tabela nº 9 - Desemprego Registado no Concelho, Segundo o Género e a Situação Face à Procura de Emprego, no Período de Referência dos Dados de fevereiro de 2017


No que concerne à distribuição da população ativa por setores de atividade, verificamos, no período entre 2001 e 2011 (tabela 10),em todos os locais de análise, uma redução muito significativa no setor primário e secundário, com exceção do setor terciário que tem registado ao longo do período de análise aumentos significativos.

De mencionar, no entanto, que foi o setor primário o que registou uma maior quebra percentual. Passando de 12,6% em 2001 para 7,3% em 2011, uma descida quase para metade do valor verificado em 2001. Esta evolução não pode ser explicada apenas pelo crescente desenvolvimento do país, embora este seja um fator que não podemos deixar de assinalar.

Este decréscimo de ativos do setor primário não pode ser justificado por uma intensa mecanização da agricultura, mas pela forte corrente emigratória que ocorreu, sobretudo, à custa da população de fracos recursos e com menores condições de vida que, na sua maioria, se dedicava à agricultura. Da mesma forma que, também, as deslocações internas para as cidades mais industrializadas fizeram reduzir o setor primário.

Importante também referir que ao contrário do que se verificou em anos anteriores, o setor secundário registou uma significativa diminuição, contrariamente ao setor terciário que tem vindo ao longo dos tempos a registar consecutivos aumentos tal como se pode verificar no quadro em análise, registando-se um acréscimo percentual de 13,9% do total dos indivíduos considerados economicamente ativos no concelho.

Tabela nº 10 - População Residente Economicamente Ativa e Empregada por Setor de Atividade, em 2001 e 2011


Para uma melhor perceção das atividades económicas do concelho, importa considerar as empresas sediadas em Cabeceiras de Basto, em particular a sua distribuição e número, por atividade económica desenvolvida (tabela 11).

Relativamente ao contexto económico em que o concelho se insere, pode-se dizer que na Região Norte há uma maior concentração das empresas no comércio por grosso e a retalho, mobilizando este setor cerca de 20,5% do total das empresas existentes na Região.

Seguem-se, claramente, as empresas ligadas à agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca, as quais representam, na Região Norte, cerca de aproximadamente 14% e as atividades administrativas e dos serviços de apoio, que representam cerca de 10,7%, do total das empresas existentes na Região Norte.

De acordo com a tabela 11, em 2015, existiam 1 432 empresas sediadas no concelho de Cabeceiras de Basto. Do total dessas empresas, cerca de 24,7% pertenciam ao setor da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca, seguindo-se o comércio por grosso e a retalho, com 20,9% do total das empresas e com 9,7% o setor de atividade da construção.

Entre 2011 (últimos censos) e 2015 (período para o qual existem dados disponíveis), verifica-se um aumento do número de empresas sediadas no concelho, passando de 1 217 para 1 432 (+215 empresas), tal como aconteceu para a Região Norte em que se verifica um aumento em 35.497 empresas.

Tabela nº 11 - Número de Empresas não Financeiras, por Setor de Atividade, entre 2011, 2012, 2013 e 2014


Conclusões Finais

De toda a análise estatística desenvolvida, com base em dados recolhidos do Instituto Nacional de Estatística e do Pordata foi possível retirar as seguintes conclusões:
  • O facto da população do concelho ter vindo, ao longo dos últimos anos, a diminuir;
  • Esta diminuição é verificável através do indicador da Taxa de Crescimento Efetivo que, entre 2001 e 2013, tem sido negativo, (2013 (-0,95%));
  • Maior número de óbitos do que nascimentos no concelho, com uma Taxa Bruta de Natalidade de 8,1% e Taxa Bruta de Mortalidade de 9,5%;
  • As mulheres no concelho continuam a ter, em média, 1 filho, observável através do indicador do Índice Sintético de Fecundidade;
  • A população concelhia é maioritariamente feminina perfazendo um total de 51% da população (dados de 2013) situação não distinta do resto do país e Região Norte;
  • A população do concelho H/M encontra-se maioritariamente agrupada no grupo etário entre os 25-64 anos, com um total de 8.645 indivíduos no ano de 2013, tal como se verificava no ano de 2001, traduzindo-se assim numa população maioritariamente adulta/idosa;
  • Decréscimo da Taxa de Atividade no concelho;
  • Aumento da Taxa de Atividade Feminina;
  • Aumento significativo da taxa de desemprego entre 2001 com 4,9% para 2011 com 15%;
  • Diminuição do desemprego entre 2011 (15%) e fevereiro de 2017 (9,7%);
  • Maior percentagem de desemprego nas mulheres, em 2001 com 6,9% (556) e 2011 21% (916);
  • Diminuição do desemprego das mulheres entre 2011 (916) e fevereiro de 2017 (613);
  • A população desempregada registada pelo IEFP encontra-se na sua maioria à procura de “novo emprego” (80,4%), sendo maioritariamente os jovens a pertencer ao indicador à procura do “1º Emprego” (10,6%);
  • Quebra do setor primário em todos os locais geográficos em análise, no caso concelhio passou de 12,6% em 2001 para 7,3% em 2011;
  • Consecutivos aumentos no setor terciário a nível do país, região norte e Cabeceiras de Basto passando no concelho de 43,3% em 2001 para 57,2% em 2011;
  • No ano de 2015 existiam 1 432 empresas sediadas no concelho;
  • 24,7% das empresas sediadas no concelho, pertenciam, no ano de 2015, ao setor da Agricultura, Produção Animal, Caça, Floresta e Pesca, 20,9% ao setor do Comércio por Grosso e a Retalho e 9,7% ao setor da Construção.
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